Num mundo de alguns
Feito só para poucos
Só de certas pessoas
Pois são os melhores alvos
Num mundo onde só os grandes fazem arte
Arte monopartidária, ditatorial
mais burguesa do que nunca
Onde nem os anormais são subversivos
Comprovando que a repressão
Aumenta o número de humanistas
Cada um tendo sua verdade
E se não as souber julgar
Elas lhe impõem, te discriminam e te entorpecem
Castram-te da complexa pluralidade do real
Jovens, espelho do mundo
Mundo, espelho dos jovens
Que se submetem ou seguem
A aprimorada forma de manipulação
Pois só leem, mas não sabem o que e como ler
Aprimoraram o controle sob seu instinto rebelde
E os atuais mitos voltam a reinar
Mundo que cria filósofos
De afirmações cotidianas e efêmeras
Que cria artistas rudemente displicentes
Priorizando a estética
Mundo onde tua fé pode ser qualquer uma,
Mas tua verdade tem que acordar com a minha
Pois tenho medo que estejas certo
Meu mundo deve estar de acordo como o concebo
E de acordo como querem que eu o conceba
Refuta-se a ideia de acordar com o que nunca
Se mudaria por completo e nisto saber agir
Meu mundo,
Falsos realistas congelaram-te, separaram-te em partes
E generalizaram-te através das que lhes convinham
Ironicamente tornaram-se idealistas
Mudaram-te, meu mundo
Deixaram-te doente
A democracia é um jogo das elites, não é para as massas ignorantes que devem ser marginalizadas, entretidas e controladas, é claro, para seu próprio bem
(Walter Lipman, citado por Noam Chomsky, Manufacturing Consent, Video, Montreal, 1992)
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